Por Michel Aires de Souza
Segundo o relatório do IPCC – Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas elaborado pela ONU, com a ajuda de 2,5 mil cientistas de vários países, o maior problema que enfrentamos hoje é o da preservação dos recursos naturais para as gerações futuras. Se a exploração predatória continuar, não teremos fonte de águas e de energias, ar puro e nem terras para cultivar e preservar a vida. O grande feito deste relatório foi comprovar que a humanidade é responsável pelo efeito estufa ao adicionar toneladas de gases na atmosfera, contrariando a opinião de muitos americanos, como Bush, que diziam que a atividade humana no aquecimento global não estava comprovada. No século XX a temperatura subiu 0,7 grau Celsius e houve um aumento de 35% de dióxido de carbono na atmosfera. Nos próximos 20 anos a temperatura deve crescer 0,4 graus. Até 2100 o planeta deve aquecer 2,9 °C. Segundo estimativas o aumento do nível do mar deve ser de 38 centímetros e na pior das hipóteses de 59 centímetros. Os oceanos já subiram 17 centímetros no último século. Para os cientistas o aquecimento global é inequivoco, uma vez que é evidente o aumento da temperatura global, o derretimento de geleiras e o aumento do nível do mar.
Atualmente os países ricos como Estados Unidos e países europeus consomem 70% da energia, 75% dos metais e 85% da produção de madeira. Somente os Estados Unidos é responsável por 35% das emissões de gases poluentes. Se não houver mudanças nesses países, o relatório prevê que as conseqüências serão catastróficas. Se o aquecimento global continuar, no futuro deve faltar água potável em todas as regiões do planeta. Nas regiões da Ásia e da África, até 2020, 250 milhões de pessoas sentirão essa escassez. O derretimento das geleiras no pólo sul e norte causarão inundações; muitas ilhas e cidades costeiras desaparecerão. O aumento da acidez da água, devido ao dióxido de carbono, deve diminuir a oferta de peixes. 20% a 40% das espécies vegetais e animais serão extintas. As florestas podem ser substituídas por savanas. Parte da Floresta Amazônica pode tornar-se cerrado. Os lençóis freáticos e os açudes não existirão mais. As doenças endêmicas como cólera e Tifo decorrentes de inundações serão comuns. Se este diagnóstico é correto, o que devemos fazer para preservar nossa existência? Como conciliar desenvolvimento econômico, desenvolvimento social e preservação da natureza?
A resposta para esse problema chama-se desenvolvimento sustentável. Dez atitudes são necessárias para preservar a natureza e a espécie humana aqui na terra. A primeira atitude é reduzir a dependência do planeta de combustíveis fósseis e promover e ampliar o uso de energias renováveis. Os governos devem incentivar o uso de energias alternativas como energia solar, energia dos ventos e a polêmica energia nuclear. Além disso, devem incentivar a produção de etanol não somente para produzir combustível, mas também produzir eletricidade. A segunda atitude é evitar o desmatamento e incentivar o reflorestamento. A limpeza do ar do gás carbônico, responsável por 70% do aquecimento global, depende da preservação das florestas tropicais e do reflorestamento. A terceira atitude é criar leis e regras para o uso e proteção da biodiversidade e para o combate do aquecimento global. As políticas públicas devem criar novos padrões para a exploração da biodiversidade, assim como novas regras para a agricultura, industria, construção civil e transporte. A quarta atitude é fazer o uso racional da água e da energia, evitando o desperdício. As disputas e guerras no futuro não serão por terras ou petróleo, mas serão por água. Atualmente 2 bilhões de pessoas sofrem com a falta de água potável, as previsões afirmam que daqui 20 anos serão 4 bilhões de pessoas. A quinta atitude é utilizar apenas madeiras certificadas, evitando assim o desmatamento predatório. Segundo dados do Ibama 86% das madeiras extraídas no Brasil são irregulares, mas este cenário está mudando, uma vez que vários países estão proibindo a importação de madeiras não-certificadas. A sexta atitude é controlar a poluição do ar e da água, tratando rios, esgotos e afluentes industriais. A preservação da água e do ar que bebemos e respiramos depende de políticas publicas de controle desses bens naturais. A sétima atitude é reciclar o lixo. Essa é uma ação que tem se tornado uma prática em vários países. Já é famoso o princípio dos “3R”: reduzir, reutilizar e reciclar. Reduzir a produção de resíduos; reutilizar materiais produzidos pela indústria e reciclar o lixo descartado após o consumo. A oitava atitude é investir no transporte coletivo, preferencialmente trens e metros elétricos, pois os carros são os maiores poluidores do meio ambiente em todo o planeta. A nona atitude é combater o tráfico de animais silvestres e preservar os habitats naturais. A biodiversidade deve ser preservada uma vez que ela é à base das atividades agrícolas, pecuárias, pesqueiras e florestais, produzindo remédios, alimento e roupas. A décima atitude é desenvolver a consciência ambiental. Os governos devem ajudar a população a ganhar consciência do aquecimento global, incentivando a mudança no estilo de vida, mostrando que o problema do meio ambiente não é um problema político, mas moral e que de sua resolução depende nossa sobrevivência. Através dessas dez atitudes poderemos conciliar desenvolvimento econômico, desenvolvimento social e preservação da natureza.
Os dados do IPCC – Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas presentes neste texto foram extraidos do “Dossiê Aquecimento Global” produzido pela editora Abril, cujo conteúdo é parte do Caderno Atualidades Vestibular do Guia do Estudante 2008.
http://www.ipcc.ch/languages/french.htm – Francês
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